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Como anda a felicidade no mundo?

Hoje, foi lançado pela Organização das Nações Unidas, o relatório anual da felicidade, fazendo exatamente dez anos que a Assembleia Geral adotou a Resolução 66/281, proclamando o dia 20 de março como o Dia Internacional da Felicidade que foi criado para conscientizar a população sobre a importância da felicidade e do bem-estar na vida das pessoas. Entenda a importância do relatório e veja conteúdos do Path relacionados ao bem-estar.



A preocupação com a felicidade e o alívio do sofrimento remontam a filósofos que discutiram o que é ser feliz durante séculos, e durante todo esse tempo a sociedade busca ser feliz como naquele antigo comercial de margarina, ou como na música de Bobby McFerrin, "Don't Worry Be Happy".


Será? Mas como podemos medir o nível de bem-estar dos humanos na terra? Uma maneira natural é perguntar o quanto elas estão satisfeitas com suas vidas, mas é preciso também questionar quais hábitos, instituições e condições materiais produzem uma sociedade onde as pessoas têm maiores níveis de felicidade.


É aí que entra o World Happiness Reports, da ONU, que estuda essas questões todos os anos, em parte comparando a média de satisfação com a vida em diferentes países e vendo quais características da população explicam essas diferenças. As condições identificadas pelos relatórios são semelhantes às condições (segundo o próprio relatório) identificadas por Aristóteles na Ética a Nicômaco, que destacou a importância do caráter da pessoa, construído por orientação e hábitos, e definiu a eudaimonia (doutrina que prega a felicidade como a finalidade da vida humana) como “a atividade da alma de acordo com a virtude”.


Em outras palavras, a alta eudaimonia exigia um caráter virtuoso, incluindo moderação, coragem, senso de justiça, capacidade de formar e manter amizades, bem como boa cidadania na polis (a comunidade política). Hoje, diante do caos metropolitano descrevemos as virtudes externas da amizade e da cidadania como atitudes e comportamentos “pró-sociais”.



Para termos uma sociedade com alta média de satisfação com a vida, precisamos de uma sociedade com cidadãos virtuosos e com instituições e condições materiais que favoreçam o desenvolvimento de comportamentos virtuosos, resultando em felicidade generalizada.


Seguindo a mesma linha de raciocínio, é importante considerar o bem-estar das gerações futuras no momento de tomar decisões hoje, levando em conta que a felicidade é importante para todos, em todo o mundo e entre as gerações. De acordo com o relatório, para garantir o bem-estar das futuras gerações, a taxa de desconto usada para comparar as circunstâncias deve ser muito baixa, dando o devido peso ao bem-estar futuro.


É essencial que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU sejam incluídos na agenda da felicidade, pois eles são vitais para garantir um meio ambiente sustentável e os direitos humanos, que são fundamentais para uma vida feliz. Em resumo, os interesses dos outros e de um meio ambiente sustentável são essenciais para a felicidade, e não algo adicional ou conflitante com ela.


Instituições como prioridade


Há um potencial para uma revolução do bem-estar humano por meio da implantação de conhecimento, tecnologias e perspectivas éticas. Para isso, é importante entender os principais fatores que influenciam o bem-estar humano, como saúde física e mental, relações humanas, renda e emprego, virtudes de caráter, suporte social, liberdade pessoal, falta de corrupção e governo efetivo.


Além disso, o texto do relatório destaca que os seres humanos não são formados apenas pelos seus gostos e valores pessoais, mas também pelas instituições sociais em que vivem e pelas normas que absorvem delas. Portanto, para promover o bem-estar humano, é necessário que as instituições sociais de cada país atuem de maneira a contribuir para esse objetivo.


O gasto social é um fator importante para aumentar a felicidade, especialmente em países com governos confiáveis e eficazes. As Organizações Não Governamentais (ONGs) também têm um papel fundamental em quase todas as esferas da atividade humana, contribuindo para o bem-estar. O compromisso com a sustentabilidade e a preservação dos direitos humanos básicos também deve ser levado em consideração nas escolhas políticas, visando a benefícios de longo prazo.


Os governos devem desempenhar um papel importante na luta contra as mudanças climáticas, em um compromisso internacional para proteger as gerações futuras. Países com níveis mais altos de gastos sociais do governo (mas não gastos militares) têm maior bem-estar, mas é necessário que as receitas para pagar por esses gastos sejam eficazes e que os governos sejam capazes de entregá-los com eficiência.


A confiança social e institucional também é um fator importante para aumentar a capacidade de um governo em entregar programas sociais. No entanto, o terceiro setor tem um papel complementar importante no fomento do bem-estar em todas as esferas da atividade humana, avaliando sempre suas opções alternativas de acordo com esse critério.


Medindo a felicidade do mundo


De acordo com os dados medidos entre os anos 2020-2022, a Finlândia continua a ocupar o primeiro lugar, seguida pela Dinamarca. A Islândia e Israel estão em terceiro e quarto lugar, respectivamente, com a Holanda, Suécia, Noruega e Suíça preenchendo as cinco primeiras posições.


O Canadá é o décimo segundo na lista, subindo duas posições em relação ao ranking do ano passado. Os Estados Unidos estão em 17º lugar entre os vinte primeiros. Uma lacuna significativa entre os países do topo e da base é evidente. No topo, há uma diferença de menos de 0,7 pontos entre o primeiro e o décimo lugar, enquanto que no fundo existem 2,1 pontos de diferença entre as últimas posições.


Muitos dos países no top 20 têm classificações semelhantes ano após ano, mas existem mudanças significativas dentro do grupo. Por exemplo, a Lituânia subiu de 52º para 20º nos últimos seis anos. Além disso, as pontuações são baseadas nas populações residentes em cada país, não necessariamente na cidadania ou local de nascimento. Nesse sentido, não houve grande diferença entre a avaliação de vida dos nascidos locais e dos nascidos no exterior nos 20 países mais felizes do mundo.


Os países mais felizes:





A felicidade em tempos de crise


O Relatório Mundial de Felicidade nos ofereceu informações valiosas sobre como as pessoas avaliam suas vidas e quão desiguais elas são por meio dos rankings de felicidade e igualdade. Apesar do aumento da desigualdade em todo o mundo, a felicidade global permaneceu notavelmente resiliente nos últimos 3 anos devido ao crescimento na generosidade, que foi medida por meio da frequência de doações de caridade. Isso indica que ajudar aqueles em necessidade é uma forma importante de melhorar o bem-estar das pessoas.


Ainda assim, é importante enfatizar que alguns países estão lutando mais para manter altos níveis de felicidade e igualdade do que outros. Por exemplo, a América Central e os países do Golfo Pérsico têm classificações baixas para igualdade, mesmo quando suas classificações para avaliação de vida são relativamente altas. Por outro lado, alguns países como Afeganistão, Líbano, Irã e Hong Kong têm classificações mais altas para igualdade do que suas classificações para avaliação de vida.



Nos últimos anos, o mundo inteiro tem sido abalado pela pandemia do COVID-19. Embora muitos estudos já tenham sido realizados sobre os efeitos da doença, um novo estudo usou dados da Gallup World Poll para examinar como o vírus tem afetado diferentes subgrupos populacionais.


O relatório descobriu que há diferenças significativas entre os efeitos do COVID-19 entre grupos de idade, sexo, status de imigração, renda, desemprego e estado geral de saúde. De acordo com os dados, as avaliações de bem-estar geralmente são mais baixas nos grupos desempregados, com problemas de saúde e aqueles com menor renda.


Além disso, o estudo concluiu que aqueles com menos de 30 anos e mais de 60 anos tendem a ser mais felizes do que aqueles que ficam na faixa intermediária. Além disso, as avaliações subjetivas da vida feminina foram ligeiramente mais altas do que as dos homens. O relatório mostrou que os migrantes internacionais tendem a se adaptar rapidamente a sua nova localidade e atingir o mesmo nível de satisfação em relação à vida dos nativos.


A pandemia do COVID-19 trouxe consigo muitas questões difíceis sobre saúde pública, segurança econômica e direitos humanos fundamentais. Porém, ele também forneceu uma oportunidade para reavaliar as formas pelas quais as pessoas reagem às situações adversas e o papel desempenhado pela confiança e pelo comportamento pró-social na produção de resultados positivos.


Os estudos do WHR 23 demonstram claramente que altos níveis de confiança social e institucional são cruciais para o sucesso durante crises globais como o COVID-19. Além disso, esses estudos mostram que o comportamento pró-social tem sido essencial para promover o bem-estar durante a pandemia.


Enquanto muitos estudos podem apontar para os impactos negativos da pandemia no bem-estar geral das pessoas, também há evidências de que ela tem servido como uma força motivadora para estimular comportamentos amistosos e benevolentes entre as comunidades locais. É esperado que esses sentimentos possam ser mantidos mesmo depois que a pandemia terminar.


Evidências sobre conexões sociais


Com base em duas pesquisas, a “State of Social Connections de 7 países” e a “Gallup World Poll”, o relatório fornece evidências consistentes de que embora a solidão ainda seja um problema importante em todo o mundo, é importante entender que os relacionamentos positivos e o apoio social também são fundamentais para a satisfação humana.


O estudo descobriu que as conexões sociais positivas são um fator chave para a felicidade e o bem-estar das pessoas. As pessoas com relacionamentos mais fortes e mais apoio social relataram maiores níveis de satisfação com suas vidas. Além disso, as conexões sociais positivas podem ter um impacto positivo na saúde mental e física das pessoas.


As pessoas com relacionamentos mais fortes relataram menores níveis de ansiedade, depressão e estresse, além de terem uma melhor saúde física. No entanto, o estudo mostra que a solidão é um problema significativo em todo o mundo. Cerca de um quarto das pessoas em todo o mundo relataram se sentir sozinhas ou isoladas. Isso destaca a importância de promover conexões sociais positivas e combater a solidão.



Além disso, o aumento dos comportamentos pró-sociais durante a pandemia global de COVID-19 pode ter um impacto positivo duradouro no bem-estar global. A doação para caridade, o voluntariado e a ajuda a estranhos são exemplos de comportamentos altruístas que podem melhorar não apenas a vida da pessoa ajudada, mas também a vida do ator. O altruísmo pode trazer benefícios emocionais para o ator, como aumentar o bem-estar subjetivo e reduzir o estresse e a ansiedade.


No entanto, a relação entre altruísmo e bem-estar não é totalmente compreendida. Há muitas questões não respondidas sobre como e por que o altruísmo afeta o bem-estar das pessoas. Além disso, é importante lembrar que nem todos os atos altruístas são iguais e que alguns podem ser motivados por razões egoístas ou prejudiciais.


Em conclusão, promover conexões sociais positivas e comportamentos pró-sociais pode ter um impacto significativo na qualidade de vida das pessoas e na saúde mental e física. É importante continuar explorando a relação bidirecional entre altruísmo e bem-estar para entender melhor como podemos promover comportamentos altruístas saudáveis e apoiar aqueles que lutam contra a solidão.


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