Presidente do BNDES vê no desenvolvimento econômico, social e ambiental, um futuro sustentável

Gustavo Montezano, é um dos convidados do Path Amazônia, em conversa ele nos conta da importância da COP-26 e explica como uma instituição como o BNDES pode ajudar a criar soluções financeiras inovadoras e sustentáveis.



O mundo mudou muito rápido nos últimos 40 anos, a gestão das empresas precisou olhar para o mundo de uma perspectiva sustentável, se adaptando à uma construção de mercado mais consciente em relação aos impactos negativos que suas atividades podem causar nas diferentes áreas.


Em uma conversa com o Path Amazônia, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, explicou como a instituição estatal pode colaborar com a inovação e sustentabilidade no Brasil. Fundado em 1969, o BNDES é um banco sem conta corrente ou agência, pertencente ao Governo Brasileiro, que promove o desenvolvimento sustentável e competitivo da economia no país, com o objetivo de gerar emprego e reduzir desigualdades sociais.


“É um banco de atacado, no segundo piso que a gente fala, que ajuda a planejar o Brasil e a projetá-lo, seja para focar em financiar e fazer modelagem de infraestrutura, ou para apoiar de forma indireta, através dos parceiros bancários, o micro, pequeno e médio empreendedor, ou seja, para apoiar investimentos sociais e ambientais.”, explica Montezano, que está entre uma diversidade de convidados do Path Amazônia.


Inovar enquanto regeneramos o planeta pode dar ao Brasil o papel de líder nessa busca pela preservação ambiental, nosso país é rico em biomas, temos a Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal, que são importantes não só para nós, mas considerados um patrimônio para todo o planeta. A floresta amazônica tem a maior diversidade de reserva biológica do planeta, abrigando metade de todas as espécies vivas do mundo e o cerrado brasileiro é considerado a savana mais biodiversa do planeta.


Só com esses dados podemos entender a importância de se ter uma instituição que aplique a verba do Estado em inovação e meio ambiente, para que toda essa biodiversidade seja mantida, se regenere e consiga conviver de forma harmoniosa com os avanços da civilização. Porém, esse caminho é árduo e segundo o presidente do BNDES, muito complexo. O desenvolvimento precisa envolver e levar em conta as pessoas, a população local, só assim elas sairão da linha da pobreza.


“Nós temos o maior ativo natural, maior biodiversidade do planeta, mas se você olha o mapa global hoje e a sociedade que a gente construiu, onde você tem alta biodiversidade vai ter pobreza, você vai encontrar miséria e, alta biodiversidade do mundo de hoje está associada a risco reputacional, então na sociedade global, mercados financeiros e sistemas corporativos, a gente ainda não consegue precificar de forma efetiva e transformar em fluxo de caixa para quem mora lá.”, explica.


Por sua vastidão, a dificuldade de acesso e infraestrutura precária faz com que a região da Amazônia, no Brasil e nos países que ela também abrange, seja ainda empobrecida na maioria das áreas, além disso, o desmatamento ilegal, a mineração e o conflito em áreas florestais tem causado enormes problemas aos que vivem dos recursos naturais dessa floresta e que moram nela.


Segundo Montezano, para quem conhece a Amazônia, a realidade de quem vive nessa região de alta biodiversidade encontra obstáculos que extrapolam a dificuldade logística, institucional, técnica e a distribuição de recursos. “E esse desafio global é uma enorme vantagem para o Brasil, a gente tem sim que desenvolver ferramentas financeiras, tem que ter instrumentos para precificar essa biodiversidade e para levar a riqueza para a ponta, mas o que eu gosto de dizer é que o grande desafio não é você mobilizar recursos, não é você ter um bilhão em dólares, um milhão em euros, o desafio é você pegar esse recurso e colocar ele nas pessoas.”, nos explica Montezano.


Importância do Brasil na COP-26


Os problemas que a Amazônia enfrenta têm sido pauta em diversas reuniões entre líderes de países desenvolvidos, estando provavelmente em novembro na agenda deles durante a COP-26. A Conferência do Clima, como é conhecida, ocorrerá do dia 31 de outubro até 12 de novembro, em Glasgow, na Escócia, onde 200 países (entre eles o Brasil) deverão apresentar seus planos de corte nas emissões de gases de efeito estufa até 2030.


Esse plano coletivo ficou muito conhecido como o Acordo de Paris, com todos estes países mantendo o compromisso de promover mudanças para a manutenção da neutralidade climática, abaixo de 2ºC. Essa conferência tem sido muito aguardada por conta de uma atenção maior que está sendo dada a ela, que ocorre em um momento onde a pandemia de Covid-19 começa a dar lugar ao cotidiano parcialmente normal.



Momentos da COP25, realizada em dezembro de 2019. Por conta da pandemia, a COP-26 foi adiada para 2021.(foto: Divulgação/UNFCCC/James Dowson

“É um momento sempre muito importante, de você equacionar ou difundir visões comuns sobre a questão do clima, da biodiversidade e seus impactos na desigualdade social. E após a pandemia, com o tema do clima sendo cada vez mais relevante na sociedade, nos mercados, essa COP-26 tem um atrativo de audiência.”, revela Montezano.


Os últimos dados disponíveis sobre os países que mais poluem no mundo colocam China e Estados Unidos como líder e vice-líder respectivamente no ranking dos que mais emitem gases poluentes em todo o mundo. Em 2018, a China emitia 23,9% dos gases responsáveis pelo efeito estufa e os EUA 13,6%. O Brasil representa 2,9% de emissões dos gases.


Para Montezano, essa equação está muito clara e os países que mais poluem são os que têm mais recursos, enquanto os menos poluentes são países emergentes, como o Brasil. “Então se a gente quer fazer uma migração para o mundo mais sustentável os mais poluentes deverão pagar algum recurso financeiro para os que menos poluem”, sugere Gustavo Montezano.


O BNDES é a instituição que tem a capacidade de alocar os recursos necessários para a inovação de setores que trabalham com a biodiversidade de forma sustentável, para Montezano o setor público e privado querem um país cada vez mais sustentável e parcerias para criar soluções financeiras que auxiliem a designar os recursos.


Esse movimento de empresas responsáveis tem sido o caminho para um ambiente inovador, o BNDES conta com um departamento que tem conversado com mais de 300 empresas que buscam esse objetivo, segundo Montezano. “O banco foi criado para desenvolver o Brasil, criar um país mais justo, aumentar o nosso PIB potencial e hoje quando você fala de desenvolvimento, naturalmente passa pelo econômico, social e ambiental, somente com esse tripé que a sociedade vai andar para frente.” completa.


Festival Path Amazônia


Gustavo Montezano é um dos convidados para o Path Amazônia que acontecerá no próximo fim de semana, dias 30 e 31 de outubro. Serão mais de 70 horas de conteúdos em uma plataforma digital e interativa, com conversas, podcasts, palestras, documentários e mais.


Participe se cadastrando em ondemand.festivalpath.com.br . É Gratuito!













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