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Setembro Amarelo: ação e movimento pela prevenção ao suicídio



Em 2015 surge um movimento que quebraria tabus em relação ao diálogo aberto sobre suicídio e saúde mental. Entenda como a campanha tem sido importante na prevenção das mortes por lesão autoprovocada no Brasil e no mundo. Também relembre uma conversa sobre felicidade em tempos de pandemia e a importância do diálogo, que aconteceu no Path Digital em 2020.


O setembro amarelo é um movimento para conscientizar as pessoas sobre a importância da prevenção do suicídio. A data remete a setembro de 1994, quando nos Estado Unidos, um jovem de 17 anos, Mike Emme, cometeu suicídio. A cor está relacionada com as fitas e cartões amarelos entregues pelos seus pais e amigos durante o funeral de Emme. Nos cartões haviam frases de apoio para pessoas que podiam estar passando pelos mesmos problemas emocionais.


Essa ideia deu força a um movimento que até hoje tem como símbolo uma fita amarela. No Brasil, o mês de prevenção ao suicídio começou em 2015 através de uma ação do Centro de Valorização da Vida (CVV), junto ao Conselho Federal de Medicina (CMF) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).


Importância da campanha e efeitos da pandemia


A campanha acontece todos os anos durante o mês de setembro e conta com a participação de diversas instituições. O suicídio, até os dias de hoje, ainda é um tabu a ser discutido, muitas vezes as pessoas não sabem como lidar com essa situação. A campanha do setembro amarelo visa justamente quebrar esse preconceito e mostrar às pessoas que é possível conversar sobre isso sem vergonha ou medo.


É um problema de saúde pública que atinge todas as idades. Em dados disponibilizados pelo o DataSUS, plataforma do Governo Federal que reúne informações sobre a saúde brasileira, os casos de morte por lesão autoprovocada aumentaram em 35% entre 2011 e 2020. No início da pandemia foram registrados 12.895 suicídios.


O setembro amarelo é um mês de conscientização sobre a prevenção do suicídio. É uma campanha que tem como objetivo principal chamar a atenção da população para esse problema e incentivar as pessoas a procurarem ajuda se estiverem passando por momentos de crise.




O período de pandemia, de isolamento social e o fato que muitos precisaram lidar com o tema da morte, como algo presente no noticiário dia após dia, foram os principais motivos para o aumento de transtornos mentais em 2020 e adiante.


Segundo dados da Young Minds, o suicídio é a segunda maior causa de morte em jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo. Os jovens podem ter sido os mais afetados durante a pandemia do COVID-19, que levou a humanidade a uma epidemia de problemas relacionados com a saúde mental.


Fatores como o isolamento, distanciamento entre os amigos, a mudança para a educação remota, incertezas sobre o futuro, entre outros, foram os que mais contribuíram com a precarização da saúde mental.


Tendo este cenário ainda presente e provavelmente pior, há uma necessidade urgente de que estratégias de prevenção e intervenção precoce sejam concebidas e implementadas desde as escolas até o ambiente de trabalho, para reverter o potencial aumento do suicídio entre os jovens e adultos.


Diálogo como ferramenta de transformação e apoio


Uma destas saídas está na conversa, e o Path é especialista em conectar ideias e diálogos positivos entre pessoas que estão transformando o mundo nesse exato momento. Entre todos os conteúdos transformadores que passaram por nossos palcos nessa década, tivemos diversas pessoas ligadas aos cuidados com a saúde mental que discutiram sobre o enfrentamento destes problemas e a necessidade de colaboração entre as pessoas para que o apoio imediato ocorra.


Durante o início da pandemia, em 2020, produzimos a edição do Path Digital, não ficamos parados e utilizamos a tecnologia a nosso favor para poder trazer à tona as pautas mais importantes daquele período. E claro, um dos temas precisava estar relacionado ao bem-estar da mente.


Em uma de nossas conversas, com mediação de Joice Berth, tivemos um papo com Carlos Correia (voluntário do CVV) e Juliana Menz (instrutora de yoga e jornalista), que conversaram sobre como ajudar quem está sofrendo, sem recorrer às narrativas fáceis de felicidade. Em um momento onde os picos de morte pelo vírus estavam muito altos e o isolamento era uma realidade sem previsão de fim, conversar sobre os problemas acarretados foi muito importante.


O trabalho de prevenção ao suicídio feito pela CVV ocorre há 60 anos, consistindo em receber ligações de qualquer pessoa, preservando seu anonimato e dando a oportunidade dessa pessoa se expressar da forma que for necessária sobre seus problemas. O número de ligações diárias durante o auge da pandemia foi de 12 mil ligações por dia.


“É uma conversa em que o voluntário se propõe a acolher a pessoa, a ouvi-la, sem aconselhamento, sem julgamento, sem minimizar o sofrimento dela, acolhê-la apenas em um momento de dor, pois normalmente quando nos ligam, estas pessoas estão em um processo de sofrimento grande e estão com dificuldade de encontrar alguém que escute profundamente elas.”, conta Correia, sobre sua experiência com a CVV.



Assista a conversa que ocorreu no Path Digital em 2020.


O uso de medicamentos para transtornos mentais, como saída conveniente e, às vezes, sem a prescrição de um profissional, não precisa ser a única saída para condições que levam ao suicídio. Um levantamento feito pela plataforma Consulta Remédios, mostra que, em 2021, houve um aumento de 113% na procura de medicamentos destinados ao tratamento de ansiedade e depressão, comparando com os seis meses anteriores à pandemia entre 2019 e 2020.


Nessa conversa sobre felicidade no Path Digital, Juliana Menz, que é instrutora de Yoga Kundalini, mostrou que a prática de atividades físicas, meditativas e de respiração, podem trazer benefícios alternativos a outros métodos. “É algo que pode te trazer, sim, um benefício, te salvar de pensamentos suicidas e remédios pesados.”, explica Menz.


A instrutora se encontrou na prática Kundalini de Yoga e se sentiu acolhida. Ela ainda não havia se encontrado em outras formas de praticar Yoga por se deparar com situações que, segundo ela, se mostravam elitistas e excludentes. “Quanto mais você se expõe, mais o outro consegue se sentir acolhido, nesse sentido o Yoga Kundalini me salvou.”, completa a instrutora.


Procure ajuda sempre


As experiências expostas pelos convidados desta palestra no Path, mostram a importância do acolhimento, principalmente quando estamos passando por problemas que afetam nossa saúde mental. O setembro amarelo é uma campanha internacional que dá protagonismo a estas ações que acolhem, conscientizando também a população sobre a importância em cuidar da saúde mental.



Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas no mundo têm algum tipo de transtorno mental, e cerca de 780 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. Se você estiver precisando de ajuda procure instituições como o CVV, que é uma entidade sem fins lucrativos atuando no acolhimento às pessoas que sofrem com problemas relacionados à saúde mental. Ligue 188 ou acesse cvv.org.br.


Em outro post aqui no portal de conteúdo do Path, separamos algumas dicas de conteúdos relacionados à saúde mental e bem-estar, para você conferir. Clique aqui e acesse.


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